Pedir um empréstimo pode ser a solução ideal para realizar um projeto, quitar dívidas mais caras ou lidar com uma emergência. No entanto, a falta de planejamento e informação leva milhares de brasileiros a cometerem erros que encarecem significativamente o custo total do crédito.
Segundo dados do Banco Central do Brasil, a inadimplência de pessoas físicas atingiu 3,7% da carteira de crédito em 2025 — e boa parte desses casos poderia ser evitada com decisões mais conscientes na hora de contratar.
Neste guia, listamos os 10 erros mais comuns ao pedir empréstimo e mostramos como evitá-los para proteger seu bolso.
1. Não Comparar o CET (Custo Efetivo Total)
O erro mais frequente é olhar apenas para a taxa de juros mensal anunciada. O que realmente importa é o CET — Custo Efetivo Total, que inclui juros, IOF, seguros, tarifas de abertura de crédito e encargos administrativos.
Dois empréstimos com a mesma taxa de juros podem ter CETs completamente diferentes:
| Instituição | Taxa mensal | IOF | Tarifa | CET anual |
|---|---|---|---|---|
| Banco A | 1,49% a.m. | 3,38% | R$ 0 | 21,8% |
| Banco B | 1,49% a.m. | 3,38% | R$ 350 | 24,2% |
| Fintech C | 1,69% a.m. | 3,38% | R$ 0 | 23,5% |
A Resolução nº 3.517 do Banco Central obriga todas as instituições financeiras a informarem o CET antes da contratação. Exija esse número e compare.
Se você quer entender melhor as diferenças entre instituições, confira nosso comparativo de taxas entre bancos.
2. Não Saber Exatamente Quanto Precisa
Muita gente pede "um pouco a mais, por garantia". Esse excedente gera juros sobre um valor que talvez nem seja utilizado. Calcule com precisão quanto você realmente precisa e solicite apenas esse montante.
Uma dica prática: faça uma planilha listando todos os gastos que o empréstimo vai cobrir. Some e adicione no máximo 5% de margem de segurança — nunca 20% ou 30%.
3. Ignorar Sua Capacidade de Pagamento
O Banco Central recomenda que o comprometimento de renda com dívidas não ultrapasse 30% da renda líquida mensal. Antes de contratar, faça as contas:
- Renda líquida mensal: R$ X
- Dívidas atuais (parcelas): R$ Y
- Parcela disponível: (X × 0,30) - Y
Se a parcela do empréstimo desejado ultrapassar esse limite, você corre risco real de inadimplência. Considere prazos mais longos (com atenção ao custo total) ou um valor menor.
4. Escolher o Prazo Mais Longo Sem Calcular
Parcelas menores são tentadoras, mas prazos longos significam muito mais juros pagos no total. Veja a diferença para um empréstimo de R$ 20.000 a 1,8% a.m.:
| Prazo | Parcela | Total pago | Juros pagos |
|---|---|---|---|
| 12 meses | R$ 1.878 | R$ 22.536 | R$ 2.536 |
| 24 meses | R$ 1.082 | R$ 25.968 | R$ 5.968 |
| 48 meses | R$ 688 | R$ 33.024 | R$ 13.024 |
A parcela de 48 meses é 63% menor, mas os juros totais são 5 vezes maiores. Escolha o prazo mais curto que caiba no seu orçamento.
Para mais detalhes sobre como funciona a simulação, leia nosso artigo sobre como simular empréstimo online.
5. Não Ler o Contrato Completo
Parece óbvio, mas a maioria das pessoas assina contratos de empréstimo sem ler todas as cláusulas. Fique atento a:
- Multa por atraso: normalmente 2% + juros mora de 1% a.m.
- Cláusula de vencimento antecipado: permite ao banco cobrar tudo de uma vez se você atrasar
- Seguros embutidos: seguro prestamista pode ser opcional, não obrigatório
- Taxa de liquidação antecipada: pela lei, a quitação antecipada é um direito, mas verifique as condições
6. Contratar Empréstimo Para Pagar Outro Sem Estratégia
A portabilidade de crédito e a troca de dívida cara por barata fazem sentido — mas apenas quando há redução real do CET. Trocar um empréstimo de 3% a.m. por outro de 1,5% a.m. é inteligente. Pegar um novo empréstimo apenas para "respirar" sem resolver a causa do endividamento é uma armadilha.
Se você está nessa situação, avalie primeiro o empréstimo consignado, que costuma ter as menores taxas do mercado.
7. Não Verificar a Idoneidade da Instituição
Com o crescimento do crédito digital, também cresceram os golpes. Antes de fornecer dados pessoais ou pagar qualquer taxa antecipada:
- Verifique se a instituição está registrada no Banco Central (pesquise em bcb.gov.br)
- Confirme o CNPJ da empresa
- Desconfie de ofertas "boas demais para ser verdade"
- Nenhuma instituição séria cobra taxas antes de liberar o empréstimo
Para se proteger de golpes, leia nosso guia completo sobre cuidados com fraudes de empréstimo.
8. Ignorar Alternativas Mais Baratas
Antes de contratar um empréstimo pessoal, verifique se não há opções mais vantajosas:
- Antecipação do FGTS: taxas a partir de 1,0% a.m.
- Empréstimo consignado: taxas a partir de 1,2% a.m. (teto regulado)
- Empréstimo com garantia de imóvel/veículo: taxas a partir de 0,8% a.m.
- Portabilidade de salário: alguns bancos oferecem condições especiais
A taxa média do empréstimo pessoal sem garantia gira em torno de 6,5% a.m. (Banco Central, 2025), enquanto o consignado fica abaixo de 2% a.m.
9. Pedir Empréstimo Com o Nome Sujo Sem Negociar Antes
Se seu nome está negativado, as taxas oferecidas serão muito mais altas. Antes de contratar:
- Consulte seu CPF gratuitamente no Serasa ou SPC
- Negocie as dívidas existentes nos feirões de renegociação (Serasa Limpa Nome)
- Após a quitação, aguarde a atualização do score (pode levar até 5 dias úteis)
- Só então busque crédito novo, já com condições melhores
Saiba mais sobre como funciona o empréstimo para negativados.
10. Não Considerar o Cenário Econômico
A taxa Selic influencia diretamente o custo do crédito no Brasil. Quando a Selic está em ciclo de alta, as taxas de empréstimo tendem a subir. Em ciclos de queda, as condições melhoram.
Em março de 2026, a Selic está em 14,25% ao ano. Em cenários de juros altos:
- Prefira empréstimos com taxa prefixada (você sabe exatamente quanto vai pagar)
- Avalie se o empréstimo pode esperar um cenário mais favorável
- Considere prazos mais curtos para reduzir a exposição a juros elevados
Checklist: Antes de Assinar o Empréstimo
Use esta lista antes de contratar qualquer crédito:
- [ ] Comparei o CET de pelo menos 3 instituições
- [ ] Sei exatamente quanto preciso e para quê
- [ ] A parcela compromete no máximo 30% da minha renda líquida
- [ ] Li o contrato completo, incluindo cláusulas de multa e seguros
- [ ] Verifiquei se a instituição é autorizada pelo Banco Central
- [ ] Considerei alternativas mais baratas (consignado, FGTS, garantia)
- [ ] Avaliei o cenário econômico e o comportamento da Selic
Perguntas Frequentes
Qual o erro mais caro ao pedir empréstimo?
Não comparar o CET entre instituições é o erro que mais custa ao consumidor. A diferença entre o CET mais alto e o mais baixo do mercado pode chegar a 300% ao ano, segundo dados do Banco Central. Comparar pelo menos 3 ofertas antes de contratar pode gerar economia de milhares de reais.
É verdade que parcelas menores são sempre a melhor escolha?
Não. Parcelas menores significam prazos mais longos e, consequentemente, muito mais juros pagos ao longo do tempo. O ideal é escolher a parcela mais alta que caiba confortavelmente no seu orçamento (respeitando o limite de 30% da renda) para minimizar o custo total.
Posso pedir empréstimo com nome sujo?
Sim, mas as taxas serão significativamente maiores — podendo chegar a 15% a.m. ou mais. A recomendação é primeiro negociar e quitar as dívidas que geraram a negativação, esperar o score atualizar e só então buscar novo crédito.
Banco pode cobrar taxa para analisar meu pedido de empréstimo?
Segundo o Banco Central, a instituição financeira pode cobrar tarifa de abertura de crédito, mas essa cobrança deve ser claramente informada e incluída no CET. Qualquer cobrança antecipada antes da aprovação e liberação do crédito é sinal de golpe.
Como sei se a taxa de juros que me ofereceram é boa?
Compare com a taxa média do Banco Central para a modalidade desejada, disponível no site bcb.gov.br. Se a taxa oferecida estiver acima da média do mercado, negocie ou busque outra instituição. Em 2025, a taxa média do empréstimo pessoal não consignado era de aproximadamente 6,5% ao mês.


